O Mito do Bom Senso no Mundo Corporativo

Será que realmente podemos exigir “bom senso” no dia a dia das empresas?

Pensei nesse tema enquanto escrevia sobre “meio certo”.

Certa vez, durante um almoço com um diretor do BankBoston, debatemos temas como ética, educação e crenças. Naquele encontro, chegamos a uma conclusão clara: o bom senso é uma variável extremamente subjetiva.

Essa conversa mudou minha postura de gestão. O evento que selou esse aprendizado ocorreu há algum tempo, quando passei a liderar equipes maiores. Minha experiência foi simples, mas o aprendizado foi definitivo: nunca peça “bom senso” aos seus colaboradores.

Na época, as contas de celular eram cobradas por minuto e todos do meu time tinham um aparelho, pois viajavam muito. Embora eu não fizesse a gestão direta das faturas, fui questionado pelo financeiro sobre um colaborador cujos gastos eram exorbitantes. Tentei argumentar que ele viajava muito, mas recebi uma resposta irrefutável: “Você viaja mais que ele e sua conta é quatro vezes menor”. Contra fatos, não há argumentos.

Meu erro foi ter distribuído os celulares pedindo apenas que fossem usados com “bom senso”. O problema é que o bom senso varia de pessoa para pessoa. Cogitei substituir o termo por “parcimônia”, mas percebi que a interpretação continuaria sendo distinta.

Conclusão: O bom senso só funciona quando estabelecemos limites claros. Quando a regra é objetiva, o pedido de bom senso torna-se desnecessário. Desde então, nunca mais cometi esse erro.