O desapego profissional: por que precisamos “morrer” para evoluir?

morrer é necessário

Morrer é preciso (Fernando Pessoa)

Pense nisso sob a ótica da sua vida profissional.

Como diz o poema, “A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação”. No entanto, é impressionante como nos agarramos ao que conhecemos e negamos a nós mesmos a oportunidade de renascer.

Recebi este texto de um amigo e, desta vez, a leitura foi diferente. Talvez pela maturidade ou por observar, nos últimos anos, tantos profissionais paralisados pelo medo de abandonar velhos conceitos para permitir que o novo surja.

Eu mesmo vivi isso. Estava preso às minhas “verdades”, crenças e ao conhecimento acumulado, resistindo ao renascimento.

Hoje, admiro profundamente quem tem a coragem de se reinventar naturalmente; aqueles que identificam o que não funciona mais, desapegam e se renovam com fluidez.

Infelizmente, muitos seguem um caminho “moribundo”. Não olham para dentro e ignoram os sinais que o mundo envia, insistindo em métodos obsoletos enquanto culpam o mercado, a empresa ou as pessoas ao redor.

Essa evolução é essencial, especialmente em momentos de transição. Ao assumir um cargo de liderança, por exemplo, precisamos “matar” o nosso perfil anterior para abrir espaço a novas visões e vontades.

Se ficarmos presos ao passado, dificilmente conseguiremos liderar quem chega com sede de mudança. Evoluir exige o sacrifício de quem fomos.

Em resumo: a renovação profissional é, ao mesmo tempo, complexa e simples. É necessária.

Dito isso, compartilho o poema que me despertou essa reflexão.

Morrer é preciso — Fernando Pessoa

Estamos acostumados a ligar
a palavra morte,
apenas à ausência de vida,
e isso é um erro.

Existem outros tipos de morte.
E precisamos morrer a cada dia.

A morte nada mais é que
uma passagem,
uma transformação.
Não existe planta sem a morte
da semente,
não existe embrião sem
morte do óvulo e do espermatozoide,
não existe borboleta sem
a morte da lagarta.

A morte nada mais é que o ponto
de partida para o início de algo novo,
a fronteira entre o passado
e o futuro.

Se você quiser ser um bom universitário,
mate dentre de você o
secundarista aéreo que acha que
ainda tem muito tempo pela frente.

Quer ser um bom profissional?
Então mate o universitário
descomprometido que acha que
acha que a vida se
resume a estudar só o suficiente
para fazer as provas.

Quer ter um bom relacionamento?
Então mate dentro de você
o jovem inseguro e ciumento,
crítico e exigente,
imaturo,
egoísta ou solteiro solto
que pensa que pode fazer
planos sozinho,
sem ter de dividir espaços,
projetos e tempo com
mais ninguém.

Quer ter boas amizades?
Então mate dentro de si a
pessoa insatisfeita,
que só pensa em si mesmo,
mate a vontade de manipular
as pessoas de acordo com
a sua conveniência,
respeite os seus amigos,
colegas de trabalho e vizinhos.

Enfim,
todo o processo de evolução
exige que matemos o nosso eu passado,
inferior.

E qual o risco de não agirmos assim?

O risco está em sermos duas
pessoas ao mesmo tempo,
perdendo o nosso foco,
comprometendo a nossa produtividade,
e, por fim,
prejudicando o nosso sucesso.

Muitas pessoas ficam
assim porque continuam se
agarrando ao que eram,
não se projetam para o que
serão ou desejam ser.

Elas querem a nova etapa
sem abrir mão da forma
como pensavam ou como agiam.
Acabam por se transformar
em projetos acabados,
híbridos,
adultos infantilizados.

Devemos,
até, às vezes,
agir como meninos,
de forma a não perder
as virtudes da criança:
vitalidade, criatividade,
brincadeira, sorriso fácil,
tolerância…

Mas se quisermos ser adultos,
devemos, necessariamente,
matar atitudes infantis,
para passarmos a assumir
inteiramente os papéis de cidadãos,
pais, líderes,
profissionais…

Quer ser alguém melhor e evoluído?
Então precisa matar em
você o egocentrismo,
o egoísmo,
para que nasça o ser
que você deseja ser.

Pense nisso e morra,
mas não se esqueça de
nascer melhor ainda.

O valor não está no tempo
que as coisas duram,
mas na intensidade com que acontecem,
por isso existem
coisas inexplicáveis,
momentos inesquecíveis,
pessoas incomparáveis.

 

 

Executivo e ser pai, em especial, de uma menina

eu minha filha e neta

Quando somos profissionais agressivos temos algumas dificuldades com a família, ultimamente tenho participado de palestras sobre startups, por exemplo, e ouvi muito que se tem que trabalhar 12, 15 e mais horas por dia, acho até mais clichê que realidade, mais para se autovalorizar, mas é só minha opinião.

Fora isso, nos meus contatos de trabalho, tenho observado empresas que apelidei de “máquina de fazer loucos” pois exigem dos seus funcionários uma dedicação que não permite uma vida familiar sadia.

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