Neste último final de semana, uma equipe com uma composição única representou o Brasil na Copa das Nações de Hipismo, na Grécia: no mesmo time, tínhamos um cavaleiro sênior de 72 anos e um jovem talento de 21 da mesma família.
Família Azevedo garante o 4º lugar para o Brasil na Copa das Nações na Grécia
O resultado prático — um quarto lugar — por si só não é o mais importante. O que realmente importa é notar que a diferença de idade não interferiu em nada, pelo contrário, somou.
Discute-se muito sobre idade hoje em dia, ignorando que o próprio conceito de tempo mudou. Quando olhamos para a liderança e o vigor de um sênior de 72 anos na atualidade, estamos diante de um fenômeno fascinante: se voltássemos à década de 1960, esse mesmo nível de energia e lucidez só seria encontrado em alguém na casa dos 50 anos.
No mercado de trabalho, infelizmente, nem todos têm essa perspectiva. Muitos ainda olham para o profissional maduro com uma visão ultrapassada de velhice, desperdiçando a energia existente e a experiência acumulada.
Há décadas inventaram o MBA (Master of Business Administration) para servir como um acelerador de experiência. No entanto, nada se compara ao que realmente foi vivido e pode ser compartilhado no dia a dia. Isso é o que define um sênior.
Então, por que o hipismo me apaixona?
- Não depende de tecnologia ou de idade: depende de experiência, técnica e da sinergia entre cavalo e cavaleiro.
É o conceito puro de equipe, onde o sucesso está na combinação das virtudes e na compensação dos defeitos. Ora o cavaleiro compensa uma deficiência do cavalo, ora o cavalo faz o mesmo — o que no meio chamamos de “salvar o cavaleiro”.
- A essência permanece intacta: quase nada mudou em termos de tecnologia aplicada ao esporte.
Tivemos pequenas inovações em bridões, selas mais leves e confortáveis, tecidos sofisticados (como o gel no culote para melhor aderência), capacetes leves e coletes com airbag. No final, tudo isso é detalhe secundário. Na pista, o que conta é o binômio: cavalo e cavaleiro.
- A meritocracia real: o que mais me fascina no esporte é o fato de ele não segregar por idade, gênero, religião ou etnia.
Na pista, não há diferença se é uma égua ou um cavalo, um jovem ou um sênior, ganha, verdadeiramente, o melhor conjunto.
Isso sem contar a alegria da poder estar em um time junto com sua própria família, e eu privo também desse privilégio, montar junto.
Outro aspecto que me atrai é a forte similaridade do hipismo com o universo das vendas. Afinal, fechar um negócio nada mais é do que saltar obstáculos, um a um, até a linha de chegada. E se você cometer uma falta e derrubar um varão, resta fazer o seu melhor e esperar que a concorrência erre mais do que você.
No ambiente comercial, é o que chamamos de cumprir cada milestone da jornada.
O hipismo prova que passou da hora de mudarmos a forma como olhamos para os profissionais seniores. Eles são uma força de trabalho altamente qualificada e disponível, carregando o “MBA da vida real” pronto para ser compartilhado.
Ter experiência não significa estar fechado para o novo. O mundo evoluiu e as novas gerações têm muito conhecimento a transmitir. O verdadeiro sênior mantém a mente aberta para novas perspectivas que, sem dúvida, irão enriquecer ainda mais a sua bagagem.
Sêniores hoje possuem energia e, acima de tudo, a inteligência comportamental e a tranquilidade necessárias para executar funções complexas.
Não devemos avaliar um profissional apenas pelas horas trabalhadas, mas pelo contexto de uma vida que, com sabedoria, sabe respeitar a ética e a responsabilidade de uma função — valores que os mais jovens ainda estão aprendendo.


