O Talento não Escolhe Idade: A Genialidade de Messi e do Coronel Sanders

Você certamente ouve falar na genialidade de Messi, mas talvez não conheça a sua história. É provável, também, que você já tenha comido no KFC, mas não conheça o Coronel Sanders e a sua impressionante resiliência. Pois é: ambos são gênios que superaram grandes dificuldades.

Nos dias de hoje, é muito comum olharmos para figuras como Elon Musk e sua fortuna bilionária. Embora eu admire essa trajetória, não são esses os personagens que mais capturam a minha atenção.

Pensando no universo do futebol e no espírito de superação, gosto sempre de fazer um comparativo sobre como a genialidade se manifesta em diferentes fases da vida: seja na juventude ou na terceira idade.

Acompanho Lionel Messi há muito tempo. Adoro futebol e, acima de tudo, a personalidade dele em campo e fora dele. Por outro lado, também sou fascinado por histórias de empreendedorismo, como a do Coronel Harland Sanders, o fundador do KFC.

O que une esses dois extremos — um jovem prodígio e um profissional sênior — é que ambos enfrentaram grandes adversidades e souberam superá-las.

Para quem só enxerga os gols e o sucesso atual de Messi, muitas vezes não imagina o tamanho do desafio de saúde e de distância de casa que ele enfrentou logo no início. É aí que a história começa.

“Aos 10 anos, a carreira de Messi enfrentou um grande obstáculo: ele foi diagnosticado com uma deficiência do hormônio do crescimento (GHD).”

O início da carreira de Lionel Messi combina um talento genial desde a infância com um grande desafio de saúde que mudou o seu destino.

A trajetória dele começou em Rosário, na Argentina, e passou por uma reviravolta que o levou ao topo do futebol mundial.

A Máquina de 87 no Newell’s Old Boys

Messi começou a chutar as primeiras bolas no Abandis, um pequeno clube de bairro, incentivado principalmente por sua avó, Celia (a quem ele dedica todos os seus gols até hoje).

Aos 6 anos, ele ingressou nas divisões de base do Newell’s Old Boys. O time de garotos nascidos em 1987 ficou conhecido na Argentina como “La Máquina de 87”, porque simplesmente destruía os adversários. Messi jogou no Newell’s por cerca de seis anos e, segundo registros históricos do clube, marcou quase 500 gols nesse período.

O Diagnóstico e a Mudança para o Barcelona

Aos 10 anos, a carreira de Messi enfrentou um grande obstáculo: ele foi diagnosticado com uma deficiência do hormônio do crescimento (GHD). Ele era muito menor do que os outros meninos de sua idade, e o tratamento custava cerca de 900 dólares por mês — um valor que a família e os clubes locais, como o Newell’s e o River Plate (onde ele chegou a fazer testes), não podiam arcar na crise econômica que a Argentina enfrentava.

Foi aí que o Barcelona entrou na história. O olheiro Carles Rexach ficou impressionado ao ver o garoto jogar e convenceu o clube catalão a pagar pelo tratamento médico, contanto que a família se mudasse para a Espanha. O famoso primeiro contrato de Messi foi assinado simbolicamente em um guardanapo de papel em dezembro de 2000.

O Sucesso Relâmpago em La Masia

Messi chegou às categorias de base do Barcelona (La Masia) aos 13 anos. No início, ele teve dificuldades de adaptação e sofreu com lesões, além de problemas burocráticos com a federação. Porém, assim que começou a jogar regularmente, sua subida foi meteórica:

  • Ele passou por cinco categorias diferentes em apenas uma temporada (2003-2004), indo do Juvenil B até o Barcelona B (o time reserva profissional).
  • Fez sua estreia não oficial no time principal aos 16 anos, em um amistoso contra o Porto de José Mourinho, em novembro de 2003.

A Estreia Profissional

O primeiro jogo oficial pelo time principal aconteceu em 16 de outubro de 2004, aos 17 anos, contra o Espanyol, pelo Campeonato Espanhol. Sob a tutela de astros como Ronaldinho Gaúcho — que rapidamente adotou o jovem argentino como um “irmão mais novo” —, Messi marcou seu primeiro gol oficial em maio de 2005, contra o Albacete, com uma assistência icônica de cobertura feita por Ronaldinho.

Coronel Harland Sanders criador do KFC

Ele ouviu 1.009 “nãos” antes de conseguir o seu primeiro parceiro de negócios oficial em Utah, que batizou o prato de Kentucky Fried Chicken (Frango Frito do Kentucky).”

A história do fundador do KFC, o Coronel Harland Sanders, é um dos maiores exemplos de resiliência e virada de jogo do mundo dos negócios. Ele não nasceu rico e o sucesso da sua famosa receita de frango frito só chegou quando ele já tinha passado dos 60 anos de idade, após uma vida inteira de tentativas e fracassos.

Uma Infância Difícil e dezenas de empregos

Nascido em 1890 em Indiana, nos EUA, Sanders perdeu o pai aos 5 anos de idade. Como sua mãe precisava trabalhar fora para sustentar a família, ele assumiu a responsabilidade de cozinhar para os irmãos mais novos. Foi ali, aos 7 anos, que ele começou a desenvolver suas habilidades na cozinha.

A juventude de Sanders foi extremamente instável. Ele abandonou a escola na 7ª série, falsificou a idade para servir brevemente ao exército e, ao longo das décadas seguintes, pulou de emprego em emprego. Ele trabalhou como condutor de bonde, bombeiro de locomotiva, vendedor de seguros, piloto de barco a vapor e até partilheiro de partos (atendendo pessoas sem recursos). Quase todas as suas tentativas de negócios próprios na juventude falharam.

O Primeiro Sucesso: O Posto de Combustível em Corbin

Aos 40 anos, em 1930, Sanders assumiu a operação de um posto de combustíveis da Shell na cidade de Corbin, no Kentucky. Para aumentar a renda, ele começou a servir refeições para os viajantes famintos na própria mesa de jantar dos seus aposentos nos fundos do posto.

Ele não servia frango frito no começo porque demorava muito para ficar pronto, mas sua comida ficou tão famosa que ele expandiu o local para um restaurante chamado Sanders Cafe. Foi nessa época que ele desenvolveu duas coisas cruciais:

  1. A receita secreta: Uma combinação perfeita de 11 ervas e especiarias.
  2. O método de cozimento rápido: Ele adaptou uma panela de pressão comercial para fritar o frango rapidamente sem perder a suculência, resolvendo o problema do tempo de espera.

Seu impacto na culinária do estado foi tão grande que, em 1935, o governador do Kentucky lhe concedeu o título honorífico de “Coronel do Kentucky” — daí o nome pelo qual ficou conhecido mundialmente.

O Fracasso aos 65 anos e o Nascimento da Franquia

Tudo parecia encaminhado, mas no início dos anos 1950, uma nova rodovia interestadual foi construída, desviando completamente o tráfego de turistas da estrada onde ficava o restaurante de Sanders. O movimento zerou. Forçado a leiloar o seu negócio para pagar as dívidas, o Coronel Sanders se viu falido aos 65 anos de idade, vivendo com um cheque de aposentadoria da segurança social de apenas 105 dólares por mês.

Em vez de desistir, ele decidiu apostar tudo na única coisa que sabia que era excelente: seu frango frito.

Sanders pegou seu carro, colocou uma panela de pressão e o saco de temperos no porta-malas e começou a viajar pelos Estados Unidos. A estratégia era simples, mas cansativa: ele ia de restaurante em restaurante, cozinhava para os donos e propunha um acordo de franquia. Se os clientes gostassem, o restaurante lhe pagaria 4 centavos de dólar por cada pedaço de frango vendido.

Ele ouviu 1.009 “nãos” antes de conseguir o seu primeiro parceiro de negócios oficial em Utah, que batizou o prato de Kentucky Fried Chicken (Frango Frito do Kentucky).

O Estouro Mundial

O modelo de franquia foi um sucesso estrondoso. O visual do Coronel — com seu terno branco impecável, gravata borboleta preta e cavanhaque — tornou-se o logotipo vivo da marca.

Em 1964, aos 73 anos, com mais de 600 franquias nos EUA e no Canadá, o Coronel Sanders vendeu sua participação na empresa por 2 milhões de dólares (uma fortuna na época) para um grupo de investidores. Ele permaneceu como o embaixador oficial e o rosto da marca até sua morte, em 1980, aos 90 anos.