Qual é o real impacto da cultura do “meio certo”? No fundo, sabemos que o meio certo é, na verdade, o errado — e não existe meio termo para a integridade.
No passado, o executivo brasileiro era admirado internacionalmente pela capacidade de dar um “jeitinho”. Essa habilidade de fazer as coisas acontecerem sob pressão nos deu brilho e foi vista como uma vantagem competitiva. No entanto, o limite entre a resiliência e a “Lei de Gerson” — aquela máxima de querer levar vantagem em tudo — é tênue e perigoso.
Vivemos isso diariamente.
Recentemente, li sobre a fiscalização em shoppings de São Paulo que multam quem estaciona em vagas de idosos ou deficientes.
É o exemplo perfeito do “meio certo”, a pessoa sabe que é errado, mas a conveniência de “levar vantagem” fala mais alto. Vemos isso no pedestre que atravessa fora da faixa, no sinal vermelho desrespeitado e no motorista que bloqueia a calçada sob a justificativa de que “está apenas trabalhando”.
No mundo corporativo, essa mentalidade de que motivos particulares justificam a quebra de regras gera um custo alto.
Em Vendas, por exemplo, as áreas de Contratos e Compliance sofrem com propostas que atropelam processos na ânsia de fechar um negócio. O resultado? Prazos de fechamento cada vez mais longos, pois a empresa precisa de mecanismos rígidos para se proteger de nós mesmos.
Essa aceitação do “meio errado” transborda para a política, onde nos acostumamos com figuras que operam sob o lema do “rouba, mas faz”.
Enquanto aceitarmos o pequeno desvio no dia a dia, teremos dificuldade em cobrar integridade em grande escala.
E você, como lida com o “meio certo” na sua vida de cidadão e profissional?


