Investimento ou Gasto? A armadilha dos ovos na cesta única

Saber diferenciar gastar de investir e diversificar para não perecer, essa é a máxima que muitos esquecem na prática.

Recentemente, acompanhei como o agronegócio tem sido impactado por conflitos globais. Os investimentos secaram e todo o ecossistema sente o golpe.

Ao ler um artigo no Estadão sobre o tema, recordei-me de um erro comum: empresas que, ao surfarem a onda de crescimento de um setor, esquecem de abrir novas frentes. Elas cometem o clássico erro de “colocar todos os ovos em uma única cesta”.

Trago isso da minha própria bagagem. Quando empreendi em tecnologia, atuava em treinamento e serviços. No braço de serviços, tínhamos uma dependência total de um único grande cliente. Por mais que a relação fosse sólida, eu sabia que variáveis políticas ou operacionais poderiam nos desligar a qualquer momento. Essa inquietação me forçou a diversificar. Foi o que nos permitiu sobreviver a planos econômicos críticos no passado.

Recentemente, como consultor, alertei uma empresa fortemente dependente do Agro sobre a necessidade de buscar novos mercados. Fui ouvido, mas não houve ação, ficou na conversa. O impacto dessa inércia chegou hoje.

Em muitas organizações, o gestor acumula funções e acaba confundindo investir com “gastar”. É difícil “trocar o boné”, mudar o mindset e antecipar o futuro. É exatamente aí que se perde o timing da decisão.

Quando sugiro investir para diversificar, não estou falando apenas de retórica. Diversificar exige projeto, alocação de pessoas e metas claras. Muitas vezes, gestores acreditam que basta mencionar novos mercados em uma reunião para que a equipe saia em busca de oportunidades. É um erro de leitura. Na bonança, o time está focado onde o resultado é imediato, eles estão operando dentro de uma zona de conforto lucrativa.

Se você não designar gente dedicada para abrir essas novas frentes — profissionais com o “boné” exclusivo da expansão — a operação do dia a dia sempre irá engolir a inovação. Sem projeto, a diversificação não passa de uma boa intenção que morre na primeira urgência do cliente atual.

A dura verdade é que o melhor momento para se preparar é quando tudo vai bem. Afinal, “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”.

E você? Como sua empresa se prepara durante a bonança?