Um bom vendedor pode se tornar um bom gerente?

Um bom vendedor pode se tornar um bom gerente?

Recentemente, um grupo no LinkedIn levantou uma discussão complexa e polêmica: a promoção de um bom vendedor ao cargo de gerente de vendas. O tema dividiu opiniões de forma acalorada entre profissionais de diversas vertentes.

Se isolarmos o contexto comercial, perceberemos que promover o melhor profissional a uma função de liderança é um risco inerente a qualquer atividade corporativa.

Portanto, ao planejar a ascensão de um vendedor a gerente, torna-se indispensável observar suas aptidões de gestão e sua resiliência para se ajustar ao novo papel.

Nesse cenário, a atuação conjunta do RH e da diretoria na preparação desse profissional é mandatória.

Investir na capacitação desse novo líder gera benefícios inestimáveis.

Um gestor que possui vivência prática no campo de batalha comercial detém maior propriedade para apoiar sua equipe, extrair o potencial máximo de cada colaborador e transmitir mentoria assertiva em cada etapa do ciclo de vendas. O respeito da equipe é imediato, pois reconhecem nele alguém que domina o processo na prática.

O erro mais frequente das organizações é promover um excelente vendedor baseando-se apenas em seu histórico de metas atingidas.

Em geral, o perfil do vendedor de alto desempenho é movido pelo sucesso individual e pelas comissões que suas vendas geram. Migrar dessa função — onde ele detém o controle absoluto das próprias ações — para a gestão exige prepará-lo para “conduzir e ensinar”, abdicando do papel de “executor”.

Infelizmente, o mercado atual padece de um problema inverso: a proliferação de gestores de vendas sem qualquer experiência de campo — o que costumo denominar como “gerente Salesforce”.

São profissionais que, muitas vezes, utilizam plataformas de CRM puramente para exercer cobranças rígidas, falhando em usá-las como ferramentas de suporte e facilitação para o time.

Contudo, a estagnação também cobra seu preço. A não promoção de um vendedor excepcional pode gerar um sentimento de desvalorização, criando um clima de insatisfação interna e motivando o talento a buscar novas oportunidades no mercado.

Em suma, este é um assunto estratégico que deve ser tratado em sinergia pelo RH e pela governança da empresa, visando o equilíbrio ideal para o profissional e para o negócio.

Afinal, o vendedor que entrega resultados continua sendo a estrela da corporação, mas garantir que ele saiba coordenar a constelação é o verdadeiro desafio do negócio.

Conclusão:

O maior risco, nesse caso, é o clássico erro de ganhar um gerente despreparado e perder um excelente vendedor. Isso ocorre com muita frequência, em grande parte pelo despreparo de quem o lidera — afinal, é responsabilidade do líder direto preparar o seu sucessor.

Além disso, falta ao RH das empresas assumir como meta estratégica a evolução das pessoas dentro da organização.

O que infelizmente vemos hoje é um RH muito mais direcionado às atividades de rotina e burocracia do que com uma visão de futuro, que, para mim, deveria ser a sua principal função.

No fim das contas, o vendedor que vende sempre será a estrela. Mas até as maiores estrelas precisam de uma direção brilhante para o show continuar.

O que você acha? Essa dinâmica também acontece na sua empresa?