Gestão de Vendas: Controlar ou Potencializar?

Qual é a verdadeira função de um gestor?

Muitos acreditam ser apenas controlar processos, mas o segredo do sucesso está em potencializar talentos. O desafio é extrair o melhor de cada colaborador, fazendo com que ele se sinta realizado ao ver seu potencial sendo plenamente utilizado.

Isso exige um equilíbrio fino entre o uso correto das ferramentas de controle e uma dedicação pessoal para impulsionar resultados.

A diferença entre a mesmice e o sucesso.

Recentemente, assisti a um filme que resumiu bem esse pensamento. Havia um personagem crucial para o sucesso de um projeto, porém ele era “incontrolável”. Aqui, “incontrolável” não significa alguém sem ética ou que desrespeita normas básicas, mas sim aquele profissional que não se encaixa em moldes rígidos e padrões pré-estabelecidos. É alguém com virtudes únicas que precisam ser canalizadas, e não podadas.

Infelizmente, vivemos uma era de níveis “insuportáveis” de controle. Em um artigo anterior, questionei: “Lembra do filme ‘Tempos Modernos’ de Charlie Chaplin? Qual a relação dele com o vendedor de hoje?”. O ponto é que, ao gerir pessoas, tentar “enquadrá-las” demais limita o desempenho. O bom gestor é aquele que domina as variáveis e sabe como extrair o melhor de cada perfil.

Lições de trajetória

Minha primeira experiência com isso foi no Grupo Bunge. Tive um gerente — hoje um grande amigo — que sabia como poucos potencializar sua equipe.

Eu era jovem, focado e incansável, mas também muito ativo e “incontrolável”. Ele soube trabalhar minhas necessidades e meu potencial em prol dos objetivos do projeto. O resultado? Sucesso mútuo. Ele não me “usava” de forma negativa; ele alinhava meu propósito aos resultados.

Mais tarde, ao ler Ichak Adizes em “Gerenciando Crise de Anti-gerência” (ou suas obras sobre gestão), entendi que ninguém é bom em tudo.

Como dono de empresa, vi que minha obrigação era entender as nuances de cada personalidade para colocar as pessoas certas nos lugares certos.

Na prática de vendas, vi isso na Compuware. Tínhamos uma equipe heterogênea. O gestor, apesar de um estilo às vezes questionável, sabia compensar as fraquezas de uns com o brilho de outros. Ele não apenas controlava; ele orquestrava.

O perigo do controle excessivo

O que vejo hoje é o oposto: um foco excessivo no CRM e em reuniões burocráticas que drenam a energia. Nunca conheci um vendedor excepcional que fosse totalmente “controlável” por planilhas. Os melhores são movidos por resultados pessoais e ambição; o papel do gestor é conectar essa ambição aos objetivos da empresa.

Quando não se respeita o potencial individual, o resultado até pode vir, mas é sofrido e abaixo do que poderia ser.

Reflita: Você está apenas controlando sua equipe ou está extraindo o brilho que existe nela?

A “Fome de Tempo” e o Silêncio do RH: Estamos Normalizando o Burnout?

Burnout

A “Fome de Tempo” e o Silêncio do RH: Estamos Normalizando o Burnout?

Ultimamente, em minhas visitas a diversos “amigos profissionais” — uma rotina comum para quem atua em vendas —, noto um padrão preocupante: pessoas sufocadas por demandas que extrapolam, em muito, a jornada contratada.

Recentemente, li um trecho de um artigo que resume bem esse cenário:

“Muitas evidências mostram que a ‘abundância de tempo’ está em níveis baixíssimos. Em uma pesquisa com 2,5 milhões de pessoas, descobrimos que 80% dos respondentes não tinham tempo para executar suas tarefas diárias. É uma ‘fome de tempo’ — um fracasso cultural coletivo em gerir nosso bem mais precioso.”

Em uma economia instável, o medo do desemprego nos empurra a aceitar o excesso no curto prazo, sem medirmos o impacto futuro. É aí que entra a “lei do provisório que vira definitivo”: quando a organização absorve a sobrecarga de um colaborador, dificilmente retrocede.

O resultado é uma bola de neve. Além do desgaste físico e mental, a qualidade das entregas despenca. O excesso de trabalho, ironicamente, gera desperdício de tempo.

Onde está o RH? Ao questionar um profissional sobrecarregado sobre o papel do RH, a resposta foi seca: “Aqui, eles só se preocupam em não pagar horas extras.”

Infelizmente, esse não é um caso isolado. Tenho sentido falta de uma atuação estratégica do RH voltada à qualidade de vida. Sempre acreditei que essa área deve ser a guardiã do equilíbrio entre os interesses da organização e o bem-estar das pessoas, indo muito além do controle de ponto.

Como gestor e empresário, minha meta sempre foi buscar o equilíbrio entre vida pessoal, trabalho e lazer para o time. Afinal, produtividade sem saúde é insustentável.

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Administrar o tempo é essencial especialmente em home office

Um dos principais problemas que temos quando em home office é com a administração do tempo.

Em geral convivemos com o francês “JáQue”, por nós mesmos ou pelas pessoas que nos cercam, afinal “já que” estou aqui vou fazer tal coisa e vem a distração.

Outro aspecto são as interferências oriundas das mensagens, conferencias, telefonemas, tenho muitos amigos executivos que sentem saudades do tempo que, apesar de trabalharem mais horas que o acordado com a empresa, fora do ambiente de trabalho, em geral não eram importunados, hoje dizem não haver mais limites, são acionados a qualquer horas.

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